Jejum intermitente e obesidade.

O jejum intermitente pode auxiliar na perda de peso, mas não mais do que outras estratégias.
Em recente meta análise, avaliando mais de 6.000 pacientes foi observado que, no curto prazo, sobretudo na configuração de dias alternados, a perda média ficou em torno de 3,4 quilos —contra 2,1 quilos da restrição contínua e 1,7 quilo das janelas diárias (em relação ao grupo “à vontade”). Passados seis meses, porém, tudo fica parecido, na casa dos dois ou três quilos perdidos.
Os benefícios cardiovasculares do jejum também seguem essa lógica, aparecem, mas não se destacam, em relação a outras dietas. No curto prazo, alguns protocolos reduzem triglicérides e melhoram o colesterol total e o não-HDL — justamente as frações mais ligadas ao risco de infarto. No entanto, resultados parecidos surgem em qualquer dieta que reduza calorias, e as diferenças se diluem em análises mais longas. O que importa para o coração, portanto, é menos o nome da dieta e mais a perda de peso sustentada e a qualidade dos alimentos nas refeições diárias.
Em um estudo de um ano, a adesão ao jejum despencou de 74% nas primeiras seis semanas para 22% no fim do ano.
Existe, de verdade, um grande entusiasmo no início, abandono depois, como acontece com praticamente qualquer dieta.
Por fim, não tem nenhum estudo que justifique a recomendação de jejum intermitente como forma de melhorar a saúde. A luz da verdade, sabemos é que há um consumo excessivo de calorias na população de modo geral e que a restrição, seja por jejum ou por outra via, reduz essa ingestão e ajuda na perda de peso.