Conhecer o Colesterol não HDL, importa no tratamento?

O colesterol não HDL (não-HDL-c) é um parâmetro que representa todo o colesterol transportado pelas lipoproteínas aterogênicas, ou seja, aquelas que podem contribuir para a formação de placas de aterosclerose.
Enquanto o LDL mede apenas uma fração do colesterol “ruim”, o não-HDL inclui o LDL, VLDL, I
Remanescentes de quilomícrons
e Lp(a).
Ou seja, ele engloba praticamente todas as partículas capazes de penetrar na parede das artérias e favorecer a aterosclerose.
Diversos estudos mostraram que o colesterol não-HDL pode predizer o risco cardiovascular tão bem quanto, e em algumas situações até melhor que o LDL.
Isso ocorre porque ele considera também as partículas ricas em triglicerídeos, que não aparecem na dosagem isolada do LDL.
É especialmente útil em pacientes com diabetes, obesidade  síndrome metabólica, hipertrigliceridemia
e doença renal crônica
Vantagens práticas dessa avaliação:
1. Não precisa de jejum

2. Funciona melhor quando os triglicerídeos estão altos.
3. Reflete a carga aterogênica total
que é considerado uma estimativa da quantidade total de partículas potencialmente causadoras de aterosclerose.
De forma prática, um paciente pode atingir a meta de LDL, mas ainda permanecer acima da meta de não-HDL, indicando necessidade de intensificar medidas como:
mudanças no estilo de vida;
maior controle do diabetes e da resistência à insulina e redução de peso.
Em alguns casos, pode ser importante o ajuste da terapia hipolipemiante (como estatinas, Ezetimiba, Inclisiran ou inibidores de PCSK9, conforme o perfil de risco).
As Diretrizes internacionais e brasileiras recomendam o colesterol não-HDL como um alvo terapêutico secundário, especialmente quando existem outros diagnósticos como:
triglicerídeos ≥ 200 mg/dL, diabetes,
ou o paciente apresenta doença cardiovascular estabelecida ou risco elevado.
Dr. Daniel Magnoni
@drdanielmagnoni